«Preciso de dinheiro. Tenho de fazer mais horas.»

Outro dia fui a uma sessão de cinema ao ar livre. O filme, giro, contava a história de um casal improvável. A certa altura ela, que tinha de fazer um aborto, diz ao rapaz que viria a ser o seu namorado: «Preciso de dinheiro. Tenho de falar com  teu irmão [o patrão dela] para fazer mais horas nas próximas semanas.»

Um pormenor. Uma fala sem interesse. Mas que põe ordem nas coisas: quando as pessoas trabalham mais horas do que aquelas que estão estipuladas no seu contrato de trabalho… ganham mais!

Estou farta de ver este tipo de diálogos em filmes norte-americanos mas só agora me soou este plim na cabeça. Dah, quem trabalha mais ganha mais. Lógico. Nada desse sistema largamente implantado em Portugal em que se espera contratar as pessoas por x horas para que elas trabalhem x+2, x+3 ou x+4, ou mesmo x+ noites e fins-de-semana sem receber um chavo a mais.

Uma vergonha. E acho que isto só podem ser resquícios de um passado colonial cuja essência se transportou para a metrópole nalguma ponte aérea. O que não falta por aí são gestores, directores, chefes e demais responsáveis com cargos sonantes que ainda não entenderam que já não são donos de ninguém, que a escravatura já acabou, que agora é preciso falar e negociar com as pessoas, pagar-lhes pelo seu trabalho e motivá-las para serem produtivas e felizes.

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