Não resisto a partilhar este excerto

Nos templos dispersámo-nos e, antes de conseguir encurralar Maurice outra vez, percebi que devia ter tido um tremendo golpe de sorte. Maurice já tinha reparado que a minha irmã era muito bonita e em breve estavam a almoçar juntos. Fiquei imensamente satisfeito. Durante anos tinha observado mal-humoradamente Elizabeth ser perseguida por uma série de imbecis insensíveis. Subitamente apresentava-se a oportunidade de mudar o seu modo de vida. Não tinha de continuar a enfrentar a certeza de que ela acabaria com um deficiente mental. Além disso, se Maurice realmente gostava da minha irmã era inevitável que eu ficasse fortemente associado ao seu trabalho de raios X sobre ADN. O facto de Maurice se ter desculpado e ido sentar-se sozinho não me preocupou. Era um homem educado e pensava que eu desejaria conversar com Elizabeth.

No entanto, logo que chegámos a Nápoles, os meus sonhos de glória por associação acabaram. Maurice foi para o seu hotel sem mais que um aceno de cabeça distraído. Nem a beleza da minha irmã nem o meu intenso interesse pela estrutura do ADN o tinham atraído. Os nossos futuros pareciam não estar em Londres. Por conseguinte, regressei a Copenhaga e à perspectiva de me furtar a mais bioquímica.

In A Dupla Hélice, de James D.  Watson

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